A fragilidade da bondade

A reflexão da Martha Nussbaum sobre a fragilidade da bondade é realmente interessante. Li alguns capítulos do livro dela há muitos anos atrás, ainda no doutorado, quando eu tive um repentino interesse por tragédia grega. O livro é longo e muito complexo, mas muito interessante.

O argumento dela diz respeito ao fato de que quem tenta viver a boa vida, a vida qualificada (aí há uma discussão grega sobre o que é a vida qualificada em contraste com a vida biológica simplesmente) está mais sujeito a uma vida trágica. Isso acontece porque viver a vida qualificada requer que nos abramos para o outro, que confiemos no outro, que nos envolvamos e nos abramos para os assuntos do mundo, que assumamos interesses que tenham a ver com algo além dos nossos interesses pessoais imediatos.

Só que essa postura de abertura para o mundo também é uma posição de vulnerabilidade, que expõe as pessoas que querem viver a boa vida às pessoas que querem destruir, causar dor, causar sofrimento, que querem trair a confiança para ganhos pessoais etc. Por isso, a bondade é uma posição de extrema fragilidade.

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